Hello China, we need to talk about coffee

11 de agosto de 2025 | Geral

Falamos do café em uma de nossas últimas newsletters, incluindo informações financeiras de players de destaque, e já estamos vendo o setor se reestruturando.

A Klooks é a maior base de dados financeiros de empresas de capital fechado do Brasil e a plataforma de inteligência de dados mais utilizada pelas consultorias do país.

A partir de 6 de agosto de 2025, os EUA impuseram uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras, incluindo o café. A medida, parte da nova agenda política de Donald Trump, reduz instantaneamente a competitividade do café brasileiro nos EUA — seu segundo maior mercado —, afetando contratos, volumes e margens de grandes exportadoras, cooperativas e tradings. A cadeia do café brasileiro entrou em um ciclo de reprecificação e renegociação, com impacto direto no caixa e na estrutura de custos de toda a indústria.

O preço do café vai ficar mais caro nos EUA 

Assim como mencionamos em nossa última newsletter sobre o café, se as tarifas forem implementadas, o impacto deve ser sentido diretamente no bolso do consumidor americano. Estimamos que o preço do café como um todo nos EUA possa aumentar entre 40-60% com o tarifaço por conta de um fenômeno econômico chamado de overshifting (veja mais informações neste artigo).

A China nos convida para tomar um café

Enquanto os EUA adotam uma postura mais protecionista, o mercado internacional já começa a buscar reequilíbrio. Um exemplo claro disso foi a decisão do governo chinês de autorizar a exportação de café por 183 empresas brasileiras — a maior abertura de mercado do tipo na história recente. A China tem muita cultura de tomar chá e ainda é um consumidor emergente de café, com consumo per capita baixo (principalmente comparado aos EUA), mas crescimento exponencial: a taxa de crescimento anual supera 15% desde 2010, segundo a Organização Internacional do Café (ICO). Beijing vê no Brasil uma oportunidade estratégica de garantir suprimento de qualidade a preços competitivos, enquanto o Brasil encontra na China um novo destino comercial com potencial para se tornar o segundo maior importador do seu café em menos de cinco anos.

radings brasileiras no centro desse tabuleiro global

Com esse novo cenário, as grandes tradings de café do Brasil assumem um papel fundamental na reconfiguração das rotas de exportação. Essas empresas operam na intersecção entre o produtor nacional e o mercado global, e terão que lidar com volatilidade cambial, tensões geopolíticas e novas exigências logísticas. A imposição de tarifas nos EUA e a abertura chinesa exigem que essas tradings sejam rápidas, flexíveis e estrategicamente posicionadas. Quem dominar inteligência de mercado, gestão de risco e acesso a múltiplos canais de exportação terá vantagem. Por outro lado, as que dependerem fortemente do mercado americano ou estiverem despreparadas para operar com a Ásia podem perder participação e eficiência.

Conheça tradings que serão impactadas

Neste contexto, duas tradings brasileiras se destacam pelos seus resultados e estrutura: a EISA (Empresa Interagrícola S/A) e a Tristão Companhia de Comércio Exterior. Dados retirados do sistema Klooks mostram que a EISA é um bom exemplo de resiliência e escala. Em 2024, alcançou uma receita líquida de R$ 6,2 bilhões, crescendo 35% no ano. O EBITDA de R$ 1,1 bilhão (18,08%) é reflexo de uma estrutura operacional madura.

Já a Tristão apresenta um perfil de crescimento acelerado. Sua receita cresceu 51,7% em 2024, chegando a R$ 2,57 bilhões, com EBITDA de R$ 273 milhões e margem de 10,62%. A empresa se diferencia pela baixa alavancagem (DL/EBITDA de 0,33) e boa liquidez, com capacidade de responder rapidamente às mudanças de mercado e ampliar sua atuação em mercados como o chinês. Ambas as empresas parecem bem posicionadas para absorver o choque tarifário dos EUA e redirecionar parte de suas operações para novos mercados asiáticos. Na Klooks, além dessas, há mais de 30 empresas entre produtores e tradings de café com dados financeiros atualizados de 2024 que você também pode conferir.

Comparativo entre EISA e Tristão 2024:

Confira o relatório completo das empresas contendo informações como caixa, investimentos, imobilizado, endividamento e muito mais aqui.

Projeções: reposicionamento global e novas oportunidades 

O setor de café brasileiro caminha para uma nova fase. As próximas janelas de exportação não serão mais definidas apenas pela proximidade geográfica ou tradições comerciais — mas pela geopolítica e pela inteligência estratégica. Com a possível perda de competitividade nos EUA, o redirecionamento para a Ásia, especialmente para a China, deve acelerar. Empresas que investirem em logística, análise de dados e capacidade de adaptação terão mais chances de capturar valor e liderar essa transição.

Na Klooks, acompanhamos de perto esses movimentos, analisando dados financeiros de milhares de empresas brasileiras. Se você também acredita que competitividade começa nos números, estamos por aqui para conversar.

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