Corretoras de seguros: análise financeira de 24 empresas do setor

17 de novembro de 2020 | Análise financeira, Análise Setorial, Seguradoras

O setor de seguros no Brasil é conhecido por sua resiliência e constante evolução. No coração desse mercado, as corretoras de seguros atuam como consultoras estratégicas e canais de distribuição vitais, o que as torna um alvo de interesse para investidores, analistas e gestores.

Mas qual modelo de negócio realmente gera mais valor? As corretoras de um estado são mais rentáveis que as de outros?

Neste artigo, apresentamos uma análise financeira de 24 empresas de corretagem de seguros no Brasil. Você terá acesso a insights exclusivos sobre receita, margens, endividamento e liquidez, descobrindo os diferenciais de desempenho que separam os players do mercado. Nosso estudo foi embasado em dados reais, processados e padronizados pela plataforma Klooks.

Por que analisar financeiramente o setor de corretoras de seguros?

A análise financeira de corretoras de seguros não é apenas um exercício contábil; é uma ferramenta de inteligência de mercado indispensável.

O setor de seguros tem um papel estabilizador na economia e movimenta uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB). Já o desempenho das corretoras, responsáveis pela distribuição e consultoria, reflete tendências macroeconômicas e eficiência operacional.

A dinâmica financeira desse segmento é particular: os ativos são leves (baseados em capital humano), e o sucesso depende crucialmente da eficiência da estrutura comercial e da capacidade de retenção de clientes.

Uma análise setorial do setor de seguros pode ser valiosa para:

  • Investidores e Fundos (M&A): identificar alvos para fusões e aquisições (M&A) com altas margens ou potencial de crescimento.
  • Gestores de Corretoras: realizar benchmarking para comparar a própria Margem EBITDA, o crescimento de Receita e a estrutura de endividamento com os pares de mercado.
  • Consultores e Analistas de Crédito: avaliar o risco de crédito e a solvência das empresas do setor antes de conceder empréstimos ou parcerias.
  • Grandes Seguradoras: entender a performance da rede de distribuição e a saúde financeira de seus principais parceiros.

Por dentro de uma análise financeira do setor de seguros usando Big Data

De tempos em tempos, aqui na Klooks, trazemos análises do mundo dos negócios com mais profundidade financeira do que das notícias que geralmente encontramos na mídia. Nossa intenção é, além de proporcionar conteúdos interessantes, mostrar como nossos serviços podem trazer eficiência para profissionais de análise financeira e de crédito.

No case de hoje vamos analisar a aquisição da Vertex (corretora) pela Alper Corretora de Seguros. A Alper é um conglomerado grande para o setor, R$ 91 milhões de receitas em 2019 e capital social de R$ 240m. Já a Vertex é uma empresa aparentemente pequena, o capital social somado do grupo econômico é de R$ 390 mil, atua principalmente em Minas Gerais e tem um modelo de negócio baseado em rede/franquias. O que um grupo grande teria visto nesta pequena empresa?

Para conseguirmos explorar os dados e tirarmos conclusões, montamos um BI de inteligência competitiva do setor de corretoras de seguros com demonstrações financeiras de 2019. Você pode interagir com o relatório dinâmico abaixo ou, para melhor visualização, clicar aqui.

Indicadores considerados: Receita, Margem, Lucro, Endividamento e Liquidez

Para traçar o perfil completo da saúde financeira das corretoras, foram utilizados indicadores-chave:

  • Receita Operacional Bruta: mede o volume de negócios e o potencial de escala da corretora.
  • Margem EBITDA: indica a eficiência operacional e a rentabilidade do core business, excluindo juros, impostos, depreciação e amortização.
  • Lucro Líquido: mede a rentabilidade final após todas as despesas e encargos.
  • Endividamento (Passivo/EBITDA): aponta a alavancagem e o risco financeiro.
  • Liquidez Corrente: avalia a solvência de curto prazo e a capacidade de pagar as dívidas imediatas.

Veja também: Como encontrar empresas com base em sua situação financeira

Ferramenta Utilizada: Plataforma Klooks

Todo o processamento de dados e a geração dos insights setoriais foram viabilizados pela plataforma Klooks.

A Klooks transforma dados financeiros brutos (muitas vezes disponíveis em PDFs ou XMLs desestruturados) em uma base de dados limpa e padronizada. Isso possibilitou a geração de medianas setoriais e a identificação de anomalias de desempenho, como as margens elevadas em segmentos específicos, algo inviável em análises manuais tradicionais.

Insights sobre o setor

Analisando o painel BI com dados do setor de seguros acima, conseguimos ler indicadores bem interessantes. Eu particularmente não sabia que as margens de corretoras que trabalham com seguro garantia eram tão altas. Além disso, esse BI nos permitiu destrinchar os dados e analisar as razões que podem ter motivado a Alper neste movimento. Acompanhe.

Corretoras de seguros em Minas Gerais tem as maiores margens do Brasil

As corretoras de Minas apresentaram mediana de 50% de margem de lucro, bastante acima dos outros estados. Como este número pode estar influenciado pelo tamanho da amostragem – temos 4 de Minas –  optamos por comparar com as 4 com melhor resultado de SP:

  • Top 4 MG: 50% de margem de lucro
  • Top 4 SP: 37% de margem de lucro

Minas Wins!

Destaque para a Bem Aqui Corretora de Seguros, parte do Grupo Mercantil (MG), que atingiu a receita líquida de R$ 26 milhões em 2019, com margem de lucro de 60%. Confira aqui o balanço da Bem Aqui Corretora de Seguros.

Isso sugere que o modelo de negócios e a gestão de custos operacionais em MG conferem uma vantagem competitiva única, permitindo que as empresas absorvam menos custos em relação à receita.

Corretoras independentes tem margens menores

Aqui a relação é inversa. Enquanto as corretoras que fazem parte de conglomerados tem margem de lucro de 47%. as independentes tem de 7% (mediana). Entendemos que isso tenha relação com a incidência dos ganhos de escala da atividade, uma vez que conglomerados tem melhor poder de barganha e conseguem diluir muito os custos fixos.

No entanto, a razão principal nos parece ser o aproveitamento de uma estrutura de distribuição adjacente – bancos usando sua estrutura para vender seguros são o tipo mais comum. Assim eles economizam o principal custo das corretoras: o vendedor. Para se ter uma ideia, nas corretoras independentes os custos fixos representam 51% da receita. Já nas que fazem parte de conglomerados maiores, apenas 27%.

Votando ao nosso caso, nos parece que a Alper identificou haver sinergias interessantes a serem aproveitadas. Em primeiro lugar, a Vertex diluirá seus custos fixos e gerará mais caixa. Em segundo lugar, a Alper poderá aproveitar sua estrutura para potencializar a venda de franquias da Vertex.

Em tem mais…

Em 2019, a margem da Alper foi de 3%, muito baixa em comparação com o setor. O principal vilão do resultado foram os custos de pessoal, que representaram 64% da Receita Líquida (disponibilizamos aqui o balanço da Alper Consultoria e Corretora de Seguros S.A.). Estaria ela querendo testar um modelo de franquia para reduzir custos de vendas e chegar mais perto das margens dos conglomerados? Provavelmente serão cenas dos próximos capítulos.

Redes/Franquias de seguros tem crescimento superior

Corretoras de seguros que trabalham em modelo de rede/franquias tem crescimento 40% superior às que trabalham no modelo tradicional. Destaque para SegPartners, que cresceu 35% em 2019. (confira aqui o balanço da Segpartners Brasil Corretora de Seguros S/A).

No entanto, pelo menos nos balanços que temos acesso, as margens se mostraram baixas. Talvez seja em função do tamanho, nenhuma destas atingiu uma escala relevante – a maior fatura 9 milhões.

Saiba mais: Como fazer análises setoriais inteligentes usando Big Data

Visão de mercado

O mercado de corretoras de seguros é bastante fragmentado, com ganhos de escala significativos e com altas margens para quem acerta a estrutura de distribuição – fatores importantes para uma consolidação de mercado.

Os maiores players ainda são partes de conglomerados bancários – BB Corretora com receitas de R$ 3 bi, Itaú Corretora com R$ 828m, Wiz (Caixa) com R$ 681m. Isso, claro, sem contar casos pontuais como da Qualicorp, que revolucionou o segmento de seguros saúde em grupo e já alcança receitas de R$ 2bi, e da própria Alper, com R$ 91m de receita líquida. Não se impressionem se começarmos a vivenciar uma consolidação de corretoras de seguros.

Lembrando que se você quiser acessar o relatório completo, que inclui, além das empresas citadas, nomes como Minuto Seguros, Howden Harmonia, Pessego, ItsSeg, Bancorbras e muito mais, basta acessar o link do painel BI com números agregados do setor de seguros, de 2019, que disponibilizamos gratuitamente.

Veja também: Seguradoras digitais crescem 3x mais rápido que seguradoras tradicionais

Como acessar os dados completos e explorar mais empresas do setor de seguros

Os insights revelados pela análise de 24 empresas são apenas um ponto de partida. Para quem precisa de dados em tempo real e em escala, a Klooks é a solução perfeita.

A plataforma permite que você realize uma busca precisa e segmentada utilizando, entre outros recursos:

  1. Busca por CNAE: filtre exatamente pelo código de atividade de corretagem de seguros para garantir que o seu benchmarking seja feito com pares reais de mercado.
  2. Filtros por indicadores financeiros: vá além da receita e filtre empresas por Margem EBITDA, Endividamento (Passivo/EBITDA) ou Liquidez Corrente. Por exemplo, encontre todas as corretoras com Margem EBITDA acima de 20% no último ano.
  3. Filtros geográficos: reproduza a análise de Minas Gerais para outros estados (PR, RS, GO etc), descobrindo novos clusters de eficiência.

Com a Klooks, você transforma nossa extensa base de dados em inteligência acionável para sua tomada de decisão financeira.

Gostou? Agende uma demonstração com a nossa equipe e veja na prática como a Klooks potencializa suas análises de mercado.

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